domingo, 21 de agosto de 2011

Museu de Cinema Pablo Ducrós Hickens, (AR)



Os amantes do cinema possuem pelo menos mais dois motivos para visitarem a capital argentina.
O primeiro deles é assistir a versão original de Metropolis, de Fritz Lang, com música ao vivo composta e interpretada pela “National Film Chamber Orchesta”, dirigida por Fernando Kabusacki, que está em cartaz no Malba.
O segundo, visitar o Museu de Cinema Pablo Ducrós Hickens, que permaneceu fechado durante sete anos e foi reaberto semana passada, com sede nova, em La Boca. Ambos estão interligados e suas histórias dariam um belo roteiro.
Lançado em 1927 na Alemanha, “Metrópolis” é um clássico do cinema mudo, uma ficção científica sobre uma cidade futurística, na qual a sociedade é rigidamente dividida entre a classe trabalhadora e os “pensadores” ou “planejadores”.
Foi considerado à época um dos filmes mais caros do país, mas como não atraiu um público grande, os produtores resolveram cortar algumas cenas.
Anos depois, as versões originais foram dadas como perdidas.
O que ninguém esperava é que houvesse uma delas, com 30 minutos de imagens extras, nos porões do Museu de Cinema, em Buenos Aires. Os rolos foram encontrados em 2008 por acaso – mas em bom estado – e o trabalho de restauração envolveu uma cooperação entre Argentina e Alemanha, concluído em tempo recorde, para ser exibido na abertura do Festival de Berlim do ano passado.
Conto essa história, que muitos já devem ter ouvido falar, para valorizar ainda mais a reabertura do Museu do Cinema, detentor de um dos maiores acervos da América Latina.
São mais de 60 mil latas de filmes desde a época muda até agora, documentários nacionais e estrangeiros, cerca de 3 mil cartazes de filmes, 360 croquis de cenários e vestuários, 1,6 mil roteiros originais, 400 pecas de roupas usadas em filmes e ainda objetos de personalidades do cinema.
Para que ninguém se decepcione, é importante destacar que o que foi inaugurado agora é apenas a primeira fase da obra e expõe menos de 10% do total do acervo, mas entre as raridades que podem ser vistas está uma das câmaras usadas pelos irmãos Lumière (há apenas outras nove no mundo).
A promessa do governo da cidade é que o prédio inteiro esteja pronto até o final de 2012, completando 450m2 de salas de exposição permanente e temporária, centro de documentação e oficinas de conservação, além de um departamento de curadoria e investigação, um centro de catalogação, uma ilha de edição, um laboratório de preservação digital.
A abertura do Museu, junto com a Fundación Proa, com o Teatro Catalinas Sur e a futura Cidade da Música traz um pouco de alento ao sul da cidade, tão maltratado nos últimos anos.

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