segunda-feira, 22 de junho de 2015

No início dos anos 70 do século passado, já havia um clima receptivo às obras de artistas que trabalhavam com o videoteipe, como o Museu de Arte de Rose, da Universidade de Brandeis, que inaugura uma exposição sobre a arte do vídeo.

Dentro da abordagem a propósito dos avanços propiciados pelas novas tecnologias, o texto procura fundamentar a intertextualidade que passa a existir entre as artes plásticas e a comunicação a partir do momento em que artistas plásticos se apropriam dos meios de comunicação como forma de expressão artística, nos anos 60 do século passado. O conteúdo parte para uma abordagem histórica sobre o uso inicial do videoteipe pelas artes plásticas, sua legitimação por grandes museus e seu posterior desdobramento para outras formas de arte englobadas sob o nome de arte-comunicação. A partir dessas manifestações, o artigo analisa as transformações ocorridas nas formas de recepção da obra de arte, quando essa se transforma em linguagem, e linguagem cinemática, e consequentemente, em comunicação.


The Rose Art Museum

With the approach regarding with the advances propitiated by the New Digital Medias, the text tries to base the existing intertextuality that arise between fine arts and communication at the moment that the artist allocates the communications media as an artistic expression, in the sixties. The content depart to a historical approach about the initial use by fine arts of the video tape, it legitimating by important museums and it later expansion to others forms of art included in the definition Art-Communication Systems. From now analyze the transformations occurred in the work of art’s reception, whilst it is transformed in cinematic language and consequently in Communication.



fonte: @edisonmariotti @edisonmariotti
http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conexao/article/viewFile/2218/1509

colaboração:
Giselle Gubernikoff


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Destinos gaúchos investem na atração de produções cinematográficas

Desde o final e novembro um comitê gestor coordenado pela Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) tem se reunido para colocar em práticas as metas estabelecidas para a criação de uma Comissão de Filmes (film commisssion) estadual. A ideia é dar visibilidade a cenários regionais por meio de produções audiovisuais, minisséries e filmes, para atrair cada vez mais visitantes ao Rio Grande do Sul.


Segunda, 08 de Dezembro de 2014 - 12:46
Foto: Ilustração

O MTur apoia iniciativas neste sentido e disponibiliza em seu site uma cartilha que explica o tema turismo cinematográfico. Segundo a Agência Nacional de Cinema (Ancine) o setor de audiovisual movimenta mais de R$ 16 bilhões por ano e de acordo com um estudo do MTur, a adoção de políticas públicas integradas entre as produções de cinema e o turismo reforçam a divulgação do país.
A agência vai facilitar a pesquisa de produtores cinematográficos do Brasil e do mundo que busquem locações (cenários reais) para rodar filmes e séries de televisão, por meio de um banco de dados que inclua informações sobre geografia, cultura e etnias presentes nos municípios gaúchos. “É, sem dúvida, uma maneira de fomentar o turismo e o desenvolvimento da mão de obra local, além de propagar a história e cultura, melhorando a autoestima da população de um destino”, diz o diretor de televisão e cinema, Federico Bonani.
Bonani diz que a sinergia entre indústrias de turismo e audiovisual beneficia a região. Diretor e produtor de diversos trabalho como Anahy de las Misiones (1997), rodado em Uruguaiana; Netto Perde sua Alma (2001), também filmado em Uruguaiana e em outros municípios da Região dos Pampas; e A Casa das Sete Mulheres (2003), gravada em Cambará do Sul, São José dos Ausentes, Pelotas e Uruguaiana.
A cidade de São José dos Ausentes, por exemplo, duplicou a quantidade de pousadas nos primeiros anos, e foi feita mais uma série de benfeitorias e investimentos em estrutura na cidade, graças à demanda de turistas, que ligavam para as agências de viagens dizendo que gostariam de conhecer o lugar onde foram feitas as cenas iniciais do filme. 
A produção a Casa das Sete Mulheres também impulsionou o turismo na região do Aparados da Serra (RS). Segundo o representante da Secretaria Municipal de Turismo de Cambará do Sul, Kim Fonseca, o fato de a cidade de 6,5 mil habitantes ter servido como parte do cenário da minissérie “foi um marco” para a economia local. “A procura do público foi grande e fomentou bastante os investimentos em turismo no município. Hoje, temos estrutura muito boa e recebemos muitos visitantes todos os anos”, disse o representante da setur local.
Segundo informações da ADGI, o portfólio gaúcho será dividido em nove regiões de acordo com características turísticas e culturais, com foco nos imigrantes que contribuíram para a formação dos municípios. No catálogo, além de informações técnicas, ainda haverá imagens dos destinos, levantamento de custos para realizações no Estado (como alimentação, contratação de profissionais) e nomes de pessoas ligadas ao setor audiovisual. 
O levantamento se torna um atrativo para a organização de trabalhos, pois facilita a busca por locações. Além disso a produção cinematográfica vende as paisagem e belezas das regiões e também revela a cultura, a culinária e costumes locais.
Boa parte dos destinos internacionais se promovem por meio da indústria cinematográfica, a exemplo dos Estados Unidos, Irlanda e Austrália — este último, cenário da trilogia de filmes O Senhor dos Anéis. Um exemplo de país latino-americano que tem se desenvolvido graças ao trabalho de uma film commission é a Colômbia, que faturou US$ 50 milhões servindo de cenário para produções de cinema naquele país.

fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://www.acritica.net/index.php?conteudo=Noticias&id=134261

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Está no ar a página do Observatório Iberoamericano do Audiovisual (OIA) na internet

Site reúne legislação e dados estatísticos do audiovisual nos países ibero-americanos


A Conferência de Autoridades Cinematográficas do Audiovisual (CACI) anunciou o lançamento do Observatório Iberoamericano do Audiovisual (OIA), site que reúne informações estatísticas e legais sobre a indústria audiovisual da região ibero-americana. O OIA dispõe de uma ferramenta interativa que permite realizar análises e comparações entre os bancos de dados disponíveis com informações do mercado audiovisual nos países membros da CACI.



Resultado de um trabalho desenvolvido desde 2008, o OIA usa como referência o Observatório Europeu do Audiovisual (OEA) e tem o objetivo de se consolidar como um depósito de recolhimento, análise, sistematização e divulgação de informações sobre a produção cinematográfica e audiovisual, tendo como público-alvo os profissionais do setor, a imprensa especializada e os gestores das políticas públicas para o audiovisual nos países ibero-americanos.



O diretor-presidente da ANCINE, Manoel Rangel, que cumpre seu segundo mandato consecutivo como secretário executivo da CACI, ressaltou a importância do lançamento: "O Observatório é um passo importante na integração dos países da região ibero-americana, pois permite um maior conhecimento e centralização de informações das cinematografias de países bastante distintos. Acreditamos que será uma ferramenta valiosa para governos, setor produtivo, pesquisadores, e todos os outros interessados em compreender melhor as nossas realidades no que tange o mercado audiovisual", afirmou.



Além de dados estatísticos do mercado, o site concentra em um mesmo espaço as legislações nacionais pertinentes ao setor, além de acordos, protocolos e convenções internacionais, facilitando e potencializando o surgimento de coproduções entre produtores dos países do grupo.

Clique aqui e conheça o Observatório Iberoamericano do Audiovisual (OIA).



O que é a CACI



A Conferência de Autoridades Cinematográficas de Iberoamérica – CACI é um organismo multilateral criado na assinatura do Convênio de Integração Cinematográfica Ibero-americana, realizado em 1989 em Caracas, na Venezuela. O objetivo da CACI é o desenvolvimento da cinematografia dentro do espaço audiovisual dos países ibero-americanos e a integração por meio de uma participação equitativa desses países na atividade cinematográfica regional. Entre os programas mantidos pela entidade estão o Programa Ibermedia, o Ibermedia TV, o DocTV LatinoAmérica e o Observatório Ibero-Americano do Audiovisual.



Em 2011, o diretor-presidente da ANCINE, Manoel Rangel, tornou-se o primeiro dirigente brasileiro a ocupar o cargo de secretário executivo da CACI, cargo para o qual foi reconduzido em 2013, para um novo mandato de dois anos.



Atualmente, a Conferência reúne 21 países-membros - Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://www.ancine.gov.br/sala-imprensa/noticias/est-no-ar-p-gina-do-observat-rio-iberoamericano-do-audiovisual-oia-na-interne

 




Convocatória para o 1º Festival de Cine Antiautoritário da Região Chilena, 2015

Antropologia do Cinema

Pretende reunir pesquisadores que estudam as múltiplas relações entre Antropologia & Cinema. Em um mundo cada vez mais constituído por fluxos e contrafluxos de narrativas audiovisuais, propõe-se não apenas discutir os enunciados antropológicos de um cinema etnográfico ou de uma antropologia fílmica, mas também o desafio enfrentado pelos antropólogos de empreender uma Antropologia do Cinema.

Participe enviando contribuições (filmes, textos, links, dicas, etc ...) para antrocine@gmail.com

Send contributions to antrocine@gmail.com



C o m u n i c a d o:
No ímpeto e a motivação de propagar a ideia é que se abre um novo espaço, quiçá é um espaço cultural diferente, mas o propósito não muda: buscamos a liberação do imaginário, da mente, da ação e assim, do ser.
Existindo o monopólio da imagem (em seu uso como entretenimento e doutrinamento, a do cine consumista) que joga um papel importante na manutenção da estrutura de poder, é que apresentamos este pequeno projeto, tímido, mas com grandes aspirações.
Como os livros, fanzine e a música que circula dentro de nosso espaço, a imagem, o vídeo, a película são elementos que buscam gerar instrução e conhecimento, mas também a eliminação de qualquer paradigma imposto pelo poder junto a apropriação do mesmo meio, com tal de que quem veja/produza este tipo de material se aproprie de si.
A convocatória está aberta à participação de realizadores, cineastas, videastas, audiovisualistas, artistas visuais, terroristas audiovisuais, organizações culturais, coletivos, e a todos que queiram participar, sejam estes da região Chilena ou do estrangeiro.
Os “requisitos”, para participar são:
• Criar uma obra que represente o espírito Antiautoritário e/ou também que questione os valores do atual sistema que nos domina.
• Com formato livre seja este o que se queira, DVD, HI 8, 35 mm, Beta, 16 mm, Mini DV, VHS, VCD, CD, HD ou outro formato.
• A duração será a que o participante estime conveniente.
• Neste Festival não se cobra pela inscrição.
• Os filmes inscritos deverão haver sido produzidos em qualquer ano.
• Devem enviar uma Sinopse e sua obra ao correio: feciantiautoritario@gmail.com.
Quando recebermos seus trabalhos lhes reenviaremos o e-mail, confirmando a chegada de seus trabalhos.


A Convocatória estará encerrada no dia 15 de fevereiro de 2015.
Festival de Cine Antiautoritário da Região Chilena

Notícia relacionada:


no sonho
da velha cerejeira em flor
passa um gato branco
Philippe Caquant



fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://antrocine.blogspot.com.br

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Vem aí o Forumdoc.bh 2014 - 18º Festival do Filme Documentário e Etnográfico / Fórum de Antropologia e Cinema, de 20 a 30 de novembro, em Belo Horizonte.



Em sua décima oitava edição, as seguintes mostras comporão a programação do forumdoc.bh.2014:


Mostra retrospectiva Avi Mograbi
Mograbi integra a geração de documentaristas dos anos 1990 e 2010 aos dias atuais que renovaram a linguagem documental, incluindo novas possibilidades expressivas como a autobiografia e uso de material de arquivo. 


O realizador se notabilizou com “Como aprendi a superar o meu medo e amar Ariel Sharon”, (1997) filme exibido e premiado no Festival de Cinema de Cannes, uma referência em “como filmar o inimigo”. Avi Mograbi estará presente no forumdoc.bh.2014 comentando seus filmes e oferecendo uma oficina/curso realizada com o apoio do Itamaraty, entre os dias 24 e 28 de novembro.
Curso com Avi Mograbi: "Que diabos estou fazendo nesta imagem?"
De 24 a 28 de Novembro de 2014 | de 14h às 16h45
Cine Humberto Mauro | Palácio das Artes
Belo Horizonte | MG
Inscrições até 18 de Novembro

Mostra / seminário Cinema e Escola
Tal mostra exibirá trabalhos de autores referenciais tais como: Fredrick Wiseman, Nicholas Philibert, Jean Rouch, David MacDougall, Jean Vigo, Ana Carolina, entre outros filmes que tematizam a escola e as instituições escolares e se debruçará sobre experiências e iniciativas de aproximação entre as experiências de realização audiovisual e demais processos formativos, a exemplo do projeto: Inventar com a diferença – cinema e direitos humanos :http://www.inventarcomadiferenca.org/


Mostras Competitivas
Apresentando uma seleção da produção de filmes documentários nacionais e internacionais contemporâneos – finalizados a partir de 2013 – pré-inscritos e selecionados.


Fórum de debates
O fórum de debates contará com a presença de realizadores, pesquisadores, professores para ampliar a reflexão sobre os filmes e produzir novos conhecimentos em intercâmbio com os espectadores.
Além disso, o Forumdoc.bh realiza nessa edição uma ação colaborativa para ajudar a exibir o filme CAVALO DINHEIRO, de Pedro Costa.


Para quem quiser e puder colaborar, seguem os números de nossa conta no Banco do Brasil:
Conta: 22218-6
Agência: 1584-9
E-mail: filmes@filmesdequintal.org.br
Aqueles que contribuírem ganharão um pacote com cinco catálogos do festival, de 2010 a 2014!
O filme será exibido no Cine Humberto Mauro, 21 de nov, às 21h.
Endereços
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Avenida Afonso Pena, 1.537 – Centro
Tel: +55 (31) 3236-7400
CAMPUS da UFMG
Exibição no Auditório Luiz Pompeu da Escola de Educação (FAE) e no Auditório Sônia Viegas da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH).
Avenida Antônio Carlos, 6627 – Pampulha
Telefone: +55 (31) 3409-5000
Cine 104
Centoequatro
Praça Ruy Barbosa, 104 – Centro
Mais informações sobre o festival no site: http://www.forumdoc.org.br

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Museu Antropológico Diretor Pestana - Cinema Ambiental no Museu


Cinema Ambiental no Museu

Sinpro Noroeste -
Rua 7 de setembro, 720 - Cep 98700-000. Ijuí - RS.
Telefone: (55) 3332 8028 ou (55) 9614 2840.
E-mail: comunicacaosinpro@terra.com.br.




MADP, Aipan e Sinpro Noroeste exibem mais um documentário, nesta quarta-feira, dia 05.

O Museu Antropológico Diretor Pestana, juntamente com a Associação Ijuiense de Proteção ao Ambiente Natural – AIPAN e Sinpro Noroeste promovem na próxima quarta-feira, 05 de novembro, a exibição do documentário “Terra do Gás”. Dirigido por Josh Fox, o vídeo é o resultado da visita a 32 estados.

- O que você faria se uma grande empresa do setor energético chegasse no lugar em que você mora e oferecesse uma boa grana por suas terras? Considerando, claro, que você morasse em uma casa com um terreno considerável, cercado de natureza e que, sob o solo, existisse uma bela quantidade de gás natural a ser explorada. Talvez você pensasse na proposta e até vendesse as suas terras. Com temática socioambiental, o filme mostra as comunidades dos EUA afetadas pela extração de gás natural, especificamente por um método chamado Fratura Hidráulica. 

O documentário será exibido gratuitamente no Auditório do Museu, às 19h30min.

Cresce o número de realizadores que produzem filmes ainda na universidade


Importância ou não da graduação na área sempre foi polêmica


'Castanha', documentário de Davi Pretto que abre a programação do Lumiar, foi feito durante curso na Universidade Federal do Rio Grande do SulPara uma plateia de mais de 1 mil estudantes de cinema e novos realizadores, durante a edição do Festival de Cannes de 2007, o cineasta Quentin Tarantino polemizou: “Pegue todo o dinheiro que seu pai gastaria em uma universidade e faça um filme”. Foi aplaudido, óbvio. Mas é preciso ressaltar que o diretor de 'Pulp Fiction', 'Kill Bill', 'Bastardos inglórios', 'Django livre' e tantos outros sempre foi viciado em sétima arte. Vale lembrar que Steven Spielberg, Martin Scorcese e Francis Ford Coppola são alguns egressos de universidades americanas e que não concordam, necessariamente, com a dica dele.


“Tarantino tem um volume de filmes assistidos muito maior do que a média mundial. É compreensível ele tender para um empirismo radical, mas essa não é a realidade de 99% das pessoas”, pondera o crítico e professor Rafael Ciccarini, coordenador do curso de cinema do Centro Universitário Una. Como não adianta ir para o set de filmagens sem referências e mesmo com as facilidades digitais, e como nem tanta gente assim tem a disposição de Tarantino para ser autodidata, o resultado é uma crescente oferta de cursos de graduação na área. A qualidade aparece nas telas. Tem quantidade também.
Na recente edição do Janela Internacional de Cinema de Recife, dentre os 25 curtas-metragens nacionais em competição, seis são produções feitas ainda na universidade. Ano após ano, a seleção de curtas na Mostra de Cinema de Tiradentes também é assim. É o cinema feito por quem está começando que interessa ao Lumiar – 1º Festival Interamericano de Cinema Universitário. O evento, coordenado pelo curso de cinema da Una, ocupa até o dia 8 o Cine Humberto Mauro. Será uma semana dedicada exclusivamente à produção escolar, o que não significa baixa qualidade. Pelo contrário. São obras premiadas e até destacadas internacionalmente.


Serão exibidos trabalhos de 13 universidades brasileiras e também da Universidad del Cine (Argentina), Escuela Internacional de Cine y Televisión (Cuba), Escuela Nacional de Cine (Colômbia) e Escuela Nacional de Cine del Uruguai). O objetivo é reforçar o papel da escola como espaço de reflexão e troca de ideias sobre o pensar e o fazer cinematográfico.

Para Rafael Ciccarini, com o crescimento do estudo formal desta área, cria-se no Brasil uma geração mais consistente de realizadores. Aos 26 anos, o diretor e hoje assessor internacional da Agência Nacional do Cinema, Eduardo Valente, recebeu o prêmio da Cinèfoudation, no Festival de Cannes de 2001, com o curta Um sol alaranjado. O filme era o trabalho de conclusão do curso de cinema, feito na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Audiovisual “Creio que a principal mudança desde que me formei é que o conceito de audiovisual hoje é muito mais importante; cinema é um termo que tem um quê de ultrapassado. Claro que o cinema como tal ainda existe, mas essa ideia de pensar e estar preparado para um ambiente do audiovisual é muito mais forte nos cursos, assim como, em geral, no setor”, comenta Valente. “O cinema contemporâneo não comercial tem a característica da autorreflexividade, pensa muito sobre si mesmo. Observamos isso na safra de longas e curtas. Tem essa característica de refletir o próprio cinema, as relações éticas que se estabelecem ali, entre outras coisas”, complementa Rafael Ciccarini.


Como Eduardo Valente ressalta, o ensino universitário de audiovisual hoje se torna cada vez mais prático, ajudado justamente pela disponibilidade cada vez maior de equipamentos simples e não muito caros, que auxiliam a que se façam cada vez mais exercícios. “Alguns cursos mais antigos, como o da UFF, seguem com a tradição do ensino teórico, mas acho que mesmo lá se incorpora cada vez mais a prática constante, o que me parece sempre algo positivo”, diz Valente.


Se nos tempos da película a produção esbarrava em uma questão financeira, com o alto custo dos negativos, da pós-produção, cópias etc., hoje fazer cinema passou a ser uma questão de vontade e esforço. Mesmo que existam vários editais de apoio e uma conversa sobre o possível surgimento de uma indústria comercial cinematográfica, ter dinheiro não significa fazer algo relevante. “É aí que entra o papel do estudo. É fundamental para dar consistência a essa situação que vivemos hoje”, completa Ciccarini.

Festival Entre os 67 longas e curtas selecionados para a programação do Lumiar, 14 são trabalhos de diretores consagrados como Martin Scorcese, George Lucas, Brian de Palma, Francis Ford Coppola e outros. O detalhe é que vão para a tela do Cine Humberto Mauro obras como 'Barbear', curta que o diretor de 'Taxi Driver' fez em 1968, nos tempos em que ainda era aluno da Universidade de Nova York. O mesmo vale para os curtas 'Liberdade' (1966), de George Lucas, e 'O despertar de Woton' (1962), de Brian De Palma. Esses são os hors-concours.


Os representantes das 13 universidades brasileiras e das quatro estrangeiras convidadas exibirão 24 trabalhos na mostra competitiva. Todos são filmes produzidos entre 2013 e 2014, indicados pelas respectivas instituições de origem. 'Castanha', documentário de Davi Pretto escolhido para abrir a programação, foi feito como trabalho na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O longa estreou na última edição do Festival de Berlim e, desde então, foi exibido no Festival do Rio e também na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



Nesta segunda-feira
19h30 – Castanha, de Davi Pretto (2014)

Terça-feira
17h – Despertar dos mestres
Barbear (1968), de Martin Scorsese; Liberdade (1966), de George Lucas;
O despertar de Woton (1962), de Brian De Palma; O campo da honra (1973),
de Robert Zemeckis (1973);
A ressurreição de Broncho Billy (1970), de James R. Rokos e John Carpenter.

19h – Mostra Competitiva Interamericana
O telegrafista (2013) de Gabriel Delano ; Procurando Rita (2013), de Evandro Freitas; Anos de luz (2013), de Aldemar Matias; O pracinha de Odessa (2013), de Luis Felipe Labaki; Arte do ofício: Fotógrafos do parque (2013), de Carlos Hamilton
e Luiza Fernanda Meira.

20h30
Mostra Competitiva Interamericana
Perto da minha casa (2013), de Carolini Covre e Diego Locatelli; Debaixo do céu, de
Renata Spiz; A mulher perseguida (2013), de Jerónimo Quevedo;
Tejo Mar (2013), de Bernard Lessa.

Cine Humberto Mauro, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro.
Entrada franca.



Onde estudar em BH



CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
Criado há nove anos, o curso de cinema e audiovisual tem duração de quatro. As disciplinas contemplam várias funções ligadas à produção cinematográfica, como direção-geral, direção de fotografia, de atores, figurino, teoria da imagem e do som, entre outras. Informações: www.una.br.

PUC MINAS
O curso de cinema e audiovisual é uma habilitação de comunicação social. A primeira turma foi formada no ano passado. As aulas são no turno da tarde. O aluno apreende todos os processos do cinema, incluindo ideia e roteirização, pré-produção, captação de imagem, pós-produção, políticas públicas de captação de recursos e exibição. Informações: www.pucminas.br.

UFMG
A habilitação em cinema de animação e artes digitais é oferecida desde 2009, na Escola de Belas Artes da UFMG, e capacita o aluno a trabalhar com técnicas como 2D, 3D e stop-motion, entre outras. São nove períodos com disciplinas como arte e mídia, panorama do cinema, fundamentos da linguagem audiovisual, montagem e edição e panorama do cinema de animação. Informações: www.eba.ufmg.br.




Três perguntas para...

David Pretto
Cineasta



1– Qual a importância da universidade na sua formação como diretor de cinema?
Meu vínculo com a faculdade é muito grande. Me formei com Bruno Carboni e Richard Tavares, amigos que conheço desde os 10 anos. E lá conhecemos Paola Wink e fundamos nossa produtora, Tokyo Filmes. O curta de conclusão de curso ('Quarto de espera', que codirigi com Bruno) foi nosso primeiro filme a fazer um circuito grande de festivais nacionais e internacionais e nos abriu muitas portas. Além disso, a universidade é minha base cinéfila e amor que tenho por fazer e ver cinema, que acredito que é bastante latente no Castanha.

2- 'Castanha' tem tido repercussão muito positiva nos festivais pelos quais passou. Podemos dizer que o longa é resultado de um processo que une teoria e prática no pensar cinematográfico?
Uma vez, um crítico me perguntou se eu pensava sobre os motivos que levam um filme a ter a fronteira implodida entre ficção e documentário ou se eram só críticos que pensavam nisso. É óbvio que todo realizador pensa sobre teoria, mas quando você está lidando com personagens que estão permitindo que você mescle a vida ‘real’ deles com a sua ficção/criação, você não pode se dar ao luxo de ficar teorizando sobre como a ficção necessita do documentário, assim como a luz precisa da sombra, etc. A filmagem é um momento de instinto e de vivência fugaz. O roteiro e a montagem, sim, são mais teóricos. Todo filme é um jogo entre uma abordagem reflexiva e instintiva.

3-Ao mesmo tempo que cinema é uma técnica, é também arte. Até onde é possível ensinar e/ou aprender uma arte?
Gosto de pensar que a arte pode ser um trabalho bastante manual. Assim como um artesão pode ensinar a um aprendiz como lidar com a madeira e suas ferramentas, o cinema lida com tripé, câmera, lente, refletor... A universidade ensina a manusear e a refletir sobre como usar tudo isso, mas, além dos objetivos das disciplinas, existe a paixão de alguns professores pelo cinema, assim como o aprendiz percebe o amor que o artesão tem pela arte, quando o seu mestre olha e segura a madeira. São coisas que não se falam, mas se percebem.

fonte: @edisonmariotti edisonmariotti Carolina Braga - EM Cultura Publicação